Sou só eu ou será que o resto da Web também está em uma fase de reflexão sobre o futuro do Google? Não há exatamente um motivo específico, existem apenas especulações que foram atiçadas recentemente com o anúncio da proposta de compra do Yahoo! pela Microsoft. A proposta foi recusada pelo Yahoo!, mas a possibilidade de uma fusão com a AOL ainda deve dar muito pano para manga nesta disputa de gigantes.

Eu decidi entrar no jogo e dar a minha cartada no que considero um verdadeiro exercício de futurologia, porém abordando somente o segmento de buscas. Aqui, apresento 5 idéias com potencial para fazer a diferença e, se não superar, talvez abocanhar parte do market share do buscador mais famoso do planeta ou, ao menos, servir de referência para a nova geração de mecanismos de busca.

1. Mahalo, um buscador “human-powered

Você já deve ter ouvido falar deste. O Mahalo é um site de busca que utiliza a validação manual da qualidade de uma página para determinado termo de consulta, o que garante sempre páginas de resultados ricas em links realmente relevantes.

Você não encontrará um resultado de busca com múltiplas páginas e links de diversos tipos sendo exibidos em uma mesma lista, como no Google. O buscador se propõe a categorizar os resultados mais importantes de modo a facilitar a exploração dos diferentes tipos de links associados a uma palavra-chave.

Quando se faz uma busca que não retorna resultados já avaliados pela equipe do Mahalo, você pode enviar as suas sugestões para validação deles e uma possível inclusão no mecanismo. Em função disso, ainda há muito trabalho para o progresso do buscador, mas a sua característica “humana” pode ser um diferencial de utilidade na busca por conteúdo na Web.

Apesar dos prós, um ponto contra e fundamental seria justamente a dinâmica da internet e sua constante mutação que pode alterar a relevância de uma página de uma hora para outra. Um sistema não-automático sofreria com a necessidade de re-indexação contínua e, por isso mesmo, mais lenta. Apesar disso, buscas mais genéricas como “olympic games“, por exemplo, podem ser muito bem servidas pelo Mahalo e dar o melhor conjunto de resultados do mercado da busca.

2. Wikia Search e a busca open source

Criticado na época de lançamento, o Wikia Search tem um aliado de grande sucesso por trás do seu conceito: a Wikipedia. Assim como seu predecessor, a idéia do buscador é apostar no feedback dos usuários criando comunidades por trás dos assuntos das buscas.

Como no Mahalo, a qualidade dos resultados do Wikia Search depende da participação ativa dos usuários. Se considerarmos a popularidade da Wikipedia e os benefícios que ela pode fornecer ao novo buscador de modo a apresentar informações completas e úteis em resultados de busca, podemos prever um concorrente forte para o Google.

Por outro lado, Mountain View também tem testado soluções que envolvem a interferência direta do usuário nos resultados e já anunciou o desenvolvimento do seu próprio concorrente para a Wikipedia, o que nos leva a crer que a idéia de Jimmy Wales não é exatamente descartável.

3. ChaCha guia a sua busca

Isto é o que eu chamo de inovação. Acabamos de falar sobre dois players que apostam no elemento humano para qualificar resultados de busca. O ChaCha não é diferente nesse sentido, porém adiciona uma ferramenta bastante útil para a experiência do usuário: um guia para auxiliá-lo em sua pesquisa.

Ao fazer uma busca simples no ChaCha, você é levado a uma tela de resultados como em qualquer outro buscador, utilizando um arrojado algoritmo de relevância e inteligência artificial para tornar a sua experiência melhor a cada nova busca. Soa como o Google, mas as comparações param por aí. No lugar do “Estou com sorte”, o ChaCha apresenta um botão inusitado que diz “Search with Guide” e é aí que o seu maior diferencial está.

Utilizando tal recurso, o usuário conta com a ajuda de um expert (humano) em tempo real através de uma coluna vertical de chat que surge no canto esquerdo da tela. Em poucos instantes, o guia apresenta os melhores resultados para a busca do usuário exibindo as suas sugestões diretamente na tela (e, claro, é pago por isso).

Demonstração do ChaCha Search Guide

O problema? Escalabilidade. Como fazer frente a um mercado tão gigante como o coberto pelo Google tendo uma variável limitadora como recursos humanos? Espero que tenham pensado nisso :)

4. Powerset, o início da busca semântica?

Estamos entrando em um terreno ainda desconhecido, mas que promete fazer algum barulho. O caso do Powerset é diferente de todos os sites de busca tratados até aqui. O produto ainda não foi lançado, mas já está sendo testado por um restrito grupo de curiosos (eu me incluo).

O pouco que se pode dizer sobre o Powerset é que ele tem gente grande envolvida e baseia-se no processamento de linguagem natural. A sua proposta é realmente ousada no que diz respeito ao objetivo da empresa de lançar um mecanismo de busca de larga escala apostando em uma tecnologia inovadora de análise semântica.

Veja um vídeo de uma apresentação sobre o Powerset no YouTube.

5. Cuill, um buscador by ex-Googlers

Continuando na Califórnia, o berço de gigantes, este é o projeto no qual estou apostando as minhas fichas. E por quê? Bom, primeiro por estar sendo gerenciado por especialistas em busca provenientes de gigantes como IBM e, pasme, do próprio Google. Segundo, porque a empresa afirma que seu motor de busca é capaz de indexar páginas com velocidade superior e custos 90% menores em relação ao robô de Sergey e Larry.

Já existem até rumores de que o Cuill (pronuncia-se “cool“) é tão “legal” que o próprio Google estaria de olho e poderia adquirí-lo mesmo antes de um lançamento beta. Ouch!

O que nos reserva o futuro da busca

Todas as idéias que apresentei neste artigo são, na verdade, caminhos para uma forma evoluída de busca na Web. Algumas podem vingar, outras não. É possível também que nenhuma delas venham a ter sucesso e que se descubra que o conceito atual de busca está equivocado ou que a experiência do usuário poderia ser mais intuitiva sem o uso de palavras-chave, por exemplo.

Se começaremos a usar uma mecânica de zoom, se teremos guias de busca em tempo real ou se votaremos nos resultados mais relevantes é uma afirmação que não podemos fazer ainda. A única coisa que podemos dizer com certeza é que a disputa por espaço no mercado da busca ainda está longe de acabar. E o Google não está parado assistindo.